Agentic AI

Da automação à inteligência autônoma no ciclo de desenvolvimento

O futuro do desenvolvimento não será humano versus IA, será humano orquestrando centenas em paralelo.

Leonel Togniolli

CTO da BRQ

O que está mudando?

A Inteligência Artificial deixou de ser uma ferramenta auxiliar e se tornou um agente colaborativo dentro do ciclo de desenvolvimento de software. Esses agentes não apenas geram código, mas também ajudam a planejar, executar, validar e aprender com cada etapa do desenvolvimento, interagindo com ferramentas, pipelines e ambientes complexos.

Em 2026, a adoção de Agentic AI for Development será um divisor de águas para as empresas que buscam acelerar a modernização, integração e governança tecnológica.

Esses agentes trabalham ao lado dos desenvolvedores, potencializando a capacidade humana e alavancando a eficiência, ao invés de substituí-los.

Níveis de agência no desenvolvimento

Nível

0 - Assistido

Capacidade

IA sugere código e refatora trechos

Exemplos práticos

Copilot, Gemini Code Assist

Valor estratégico

Aceleração pontual

Nível

1 – Automatizado

Capacidade

Gera artefatos com base em requisitos e contexto

Exemplos práticos

Geração de APIs, testes unitários

Valor estratégico

Redução de esforço manual

Nível

2 – Autônomo Controlado

Capacidade

Planeja e executa tarefas de ponta a ponta sob supervisão

Exemplos práticos

Modernização de módulos legados

Valor estratégico

Ganho de eficiência e consistência

Nível

3 – Colaborativo

Capacidade

Coordena múltiplos agentes (testes, UI, segurança)

Exemplos práticos

Plataformas agênticas integradas (ex.: Fusion Squad)

Valor estratégico

Cadeias de entrega inteligentes

Nível

4 – Evolutivo

Capacidade

Aprende com feedback e otimiza processos

Exemplos práticos

Self-learning pipelines

Valor estratégico

Melhoria contínua e redução de bugs

Por que isso estará na agenda de 2026?

Os agentes de IA atingiram um novo patamar de confiança. A tecnologia evoluiu para que esses assistentes não apenas executem tarefas, mas mantenham o foco em objetivos complexos por muito mais tempo, seguindo instruções com uma precisão inédita. Essa "autonomia robusta" é o que faltava para transformá-los de ferramentas experimentais em pilares estratégicos. E é exatamente esse avanço que agora nos permite enfrentar desafios antigos de frente:

Escassez de talentos técnicos

Agentes especializados ajudam a preencher lacunas de mão de obra, acelerando a entrega e reduzindo a dependência de profissionais altamente especializados.

Crescimento da complexidade arquitetural

Com sistemas legados, híbridos e multicloud, a automação inteligente será crucial para gerenciar a complexidade crescente.

Demanda por modernização em escala

A modernização manual se tornou um gargalo; IA colaborativa acelera esse processo sem comprometer a qualidade.

Evolução das plataformas de IA corporativa

Empresas estão internalizando frameworks de agentes generativos e criando AI Factories internas para otimizar a produção de software.

O foco não é só gerar código mais rápido, é gerar valor de engenharia de forma mais inteligente.

Leonel Togniolli

CTO da BRQ

Arquitetura da autonomia

Agente de requisitos

Transforma tickets, PRDs e histórias de usuário em specs e tarefas implementáveis por agentes

01

Agente de arquitetura

Gera design técnico e padrões de implementação, e garante a aderência no código implementado

02

Agente de codificação

Escreve e revisa o código de acordo com os specs e guardrails definidos

03

Agente de teste

Gera e executa cenários automatizados.

04

Agente de integração

Coordena pipelines e versionamento.

05

Agente de observabilidade

Monitora desempenho e regressões.

06

Esses agentes operam em cooperação, dentro de ambientes governados, respeitando permissões e políticas corporativas.

O resultado é um ecossistema autogerido, em que o desenvolvedor supervisiona e a IA executa.

Exemplo de Fluxo: Modernização de Legado com Colaboração Humano-Agente

Contexto

Um grande banco enfrentava a imobilização de seus sistemas em Java 6, com a necessidade estratégica de migrar para uma arquitetura de microserviços na AWS.

Desafio

O alto custo, o tempo proibitivo da refatoração manual e a escassez de especialistas em sistemas legados criavam um impasse na inovação.

Solução

Foi implantada uma equipe de agentes de IA especializados, projetados para atuar em um fluxo contínuo de modernização, onde cada etapa é potencializada pela IA e direcionada pela supervisão estratégica humana.

O fluxo colaborativo

  • Análise Autônoma: Agente analisa código legado para identificar arquitetura, dependências e módulos.

  • Planejamento Estratégico (Humano-Agente): Especialistas priorizam jornadas críticas; agente detalha as selecionadas.

  • Especificação: Agente gera documentação técnica e a divide em tarefas de implementação.

  • Execução Supervisionada: Agente cria código novo, com revisão humana em pontos-chave para validação.

  • Validação e Entrega: Agente testa automaticamente; humanos aprovam a implantação em produção.

Resultado

Ciclo de modernização acelerado, com aumento de precisão e rastreabilidade

Indicadores de maturidade agêntica

Dimensão 01

Estratégia e Adoção

Nível 1

Uso individual e casual de agentes

Nível 2

Agentes Padronizados

Nível 3

OKRs de uso e Medição de Resultados

Meta 2026

OKRs de adoção atrelados a métricas de negócio (velocidade, qualidade, redução de custo).

Dimensão 02

Casos de Uso e Autonomia

Nível 1

Foco em Copilots (assistência)

Nível 2

Agentes Individuais por Etapa (especializados)

Nível 3

Agentes Autônomos Integrados (orquestrados)

Meta 2026

Pelo menos 2 fluxos end-to-end (ex: modernização) operados por orquestração de agentes.

Dimensão 03

Integração no SDLC (Ciclo de Vida do Software)

Nível 1

Sem rastreabilidade

Nível 2

Integração em PRs e Pipelines

Nível 3

Agentes executam etapas de forma autônoma com gates humanos

Meta 2026

80% das etapas do pipeline com execução autônoma e gates claros para intervenção.

Dimensão 04

Qualidade e Avaliação (Evals)

Nível 1

Avaliação Subjetiva

Nível 2

Métricas por Ação (ex: precisão da task)

Nível 3

Evals Automatizados e Contínuos

Meta 2026

Sistema de avaliação contínua (evals) para todos os agentes em produção.

Dimensão 05

Privacidade, Segurança e Compliance

Nível 1

Políticas Inexistentes

Nível 2

Política de Uso definida

Nível 3

DLP e Controles Automatizados

Meta 2026

Controle automatizado de dados sensíveis e compliance em tempo real.

Dimensão 06

FinOps e ROI

Nível 1

Custos Desconhecidos

Nível 2

Monitoramento por Time/Projeto

Nível 3

Otimização Contínua e Cálculo de ROI

Meta 2026

ROI mensurável por caso de uso e otimização automática de custos de inferência.

Desafios e mitigação

Risco de código “não auditável”

Rastreamento de auditoria e atribuição a agentes no controle de versionamento.

Exposição de Informações Proprietárias

Priorizar instâncias privadas e plataformas homologadas.

Geração de Defeitos e Alucinações

Criar camadas de feedback humano contínuo, permitindo ajustes e supervisão constante.

Mudança cultural

Capacitar equipes para atuar como “arquitetos de agentes”, promovendo a co-criação entre humanos e IA.

Impacto esperado

Qualidade

Aumento de acurácia e consistência de código.

Escabilidade

Pipelines que se adaptam automaticamente a novas demandas.

Governança

Rastreabilidade de ponta a ponta em decisões e execuções de IA.

Visão de futuro

Em 2026, os times de engenharia terão menos desenvolvedores escrevendo código e mais arquitetos orquestrando agentes.

O foco passará a ser aumentar a clareza dos objetivos e gerenciar os guardrails para garantir o norte verdadeiro.

A próxima revolução do desenvolvimento não será low-code, será no-touch.

Leonel Togniolli

CTO da BRQ

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